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"title": "Em defesa da notícia: 3 pontos que publishers e anunciantes devem considerar em relação ao bloqueio de anúncios"
"date": "2020-04-28T15:20:56+00:00"
"url": "https://www.criteo.com/br/blog/em-defesa-da-noticia-3-pontos-que-publishers-e-anunciantes-devem-considerar-em-relacao-ao-bloqueio-de-anuncios/"
"description": "Com a crescente preocupação em torno do brand safety, os anunciantes estão tentando adaptar-se ao novo normal tomando medidas com informações e recursos limitados."
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"author": "Karen Mangonon"
"category": "Ad Tech"
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Com a crescente preocupação em torno do brand safety, os anunciantes vêm tomando medidas agressivas para bloquear a veiculação de anúncios próximos a qualquer conteúdo relacionado ao coronavírus. Muitos tentam adaptar-se ao novo normal, embora careçam de recursos e informações suficientes para lidar com essa questão.




Em meio à pandemia do coronavírus, observamos [um rápido declínio na receita de publicidade para publishers de notícias](https://www.usatoday.com/story/money/2020/03/30/coronavirus-covid-19-news-newspapers-media-business-disaster/2931503001/), em função das blacklists e do bloqueio de anúncios. Mas, como a crise hoje permeia todos os aspectos da vida, os anunciantes já estão descobrindo que evitar toda e qualquer conexão com sites de notícias pode não ser uma estratégia sustentável.




No mundo inteiro, as pessoas estão confinadas em suas casas. Por isso, todos procuram informar-se com notícias atualizadas, acompanhar a evolução do coronavírus e saber como se comportar nestes tempos incertos. A audiência de notícias nunca foi tão alta. Mesmo assim, muitos canais jornalísticos tradicionais continuam a cortar pessoal e orçamentos. De acordo com o USA Today, março viu uma [queda de 10% a 25% na receita de publicidade para publishers de notícias](https://www.usatoday.com/story/money/2020/03/30/coronavirus-covid-19-news-newspapers-media-business-disaster/2931503001/), e a expectativa é que esse número suba para 30% a 50% no segundo trimestre, mesmo com o aumento no hábito de leitura.




Embora não haja caminho fácil, acreditamos que está na hora de adaptar essa abordagem e mudar as estratégias para alavancar o setor. Vamos rememorar a importância das nossas ações e o que podemos fazer para apoiar a sustentabilidade das notícias.




### **Considerações éticas**




Os anunciantes têm um papel essencial em financiar o livre fluxo de informações, especialmente, de notícias. Encorajamos os anunciantes a considerarem esse poder e o impacto das suas ações ao tomarem decisões difíceis. No atual momento, as pessoas precisam ter acesso a notícias precisas e confiáveis em nome do bem maior. Todos nós precisamos proteger e investir nas notícias que ajudam as pessoas a se manterem informadas.




A Gannett Media, proprietária do USA Today, e uma das maiores empresas de comunicação e marketing dos EUA, anunciou a suspensão temporária de contratos de trabalho e cortes de salário em toda a empresa no mês passado, em função do coronavírus e do declínio na receita de publicidade. Com outras grandes empresas enfrentando dificuldades semelhantes, começamos a ver uma redução no volume de notícias que essas gigantes conseguem compilar, produzir e distribuir. Se isso está acontecendo com uma empresa como a Gannett, podemos imaginar a situação dos players menores, como os publishers de notícias locais.




### **Considerações econômicas**




Ironicamente, apesar da retração na receita dos publishers, marcas e anunciantes podem estar perdendo uma enorme oportunidade. O momento nunca foi tão propício para investir em mídia digital. Em uma [conversa com Matthew Hogg](https://www.linkedin.com/posts/matthew-dicecca-3a5b431b_coronavirus-advertising-digitalmarketing-activity-6656524650580897792-UeY0/), VPE de Publisher Partnerships na Criteo, Hogg ressalta que “os preços dos inventários em mídia digital nunca estiveram tão baixos, com um declínio de 30% a 40% nos CPMs”. Hogg explica que, por essa razão, os anunciantes têm uma oportunidade única de comprar, a preços excelentes, algumas das mídias de melhor qualidade e performance.




Outra oportunidade notável é a de criar relações de confiança. Este é o momento de as marcas se associarem a canais de notícias altamente confiáveis. Independentemente das notícias atuais, essa decisão pode ter um efeito de longo prazo de como será a percepção de consumidores e prospects em relação à marca nos próximos anos.




### **Considerações práticas**




Compartilhando ou não essa perspectiva econômica ou o argumento ético quanto a investir nas notícias, o fato é que todas as empresas estão em uma posição em que escolhas difíceis precisam ser feitas. Hoje, com a pandemia como [assunto predominante](http://www.criteo.com/br/blog/tendencias-de-trabalho-remoto-como-o-coronavirus-vai-mudar-para-sempre-a-forma-como-trabalhamos/), defendemos uma abordagem mais cirúrgica em relação às blacklists e ao bloqueio de anúncios.




Nem todas as referências ao coronavírus ou à COVID-19 precisam ser bloqueadas. Na verdade, convém até mesmo associar-se a muitos artigos inspiradores. Em vez de bloquear cada correspondência exata para COVID-19, os anunciantes devem filtrar termos negativos, como “mortes por corona” ou “estatísticas de morte por COVID”. Essa estratégia simples pode ter um impacto profundo na receita do publisher.




A [CNBC](https://www.cnbc.com/2020/03/29/news-sites-ask-brands-to-get-advertise-alongside-covid-19-content.html) escreveu recentemente: “Agora que o coronavírus impactou praticamente cada faceta da sociedade, os especialistas do setor de publicidade argumentam que não deve haver nenhum estigma quanto a mostrar anúncios em artigos vinculados à pandemia.” Publishers e empresas de notícias estão perdendo dinheiro apesar do aumento no tráfego e nas visualizações de páginas. Mas nós temos a oportunidade e as ferramentas disponíveis para causar um impacto positivo.




Muitos publishers estão fazendo sua parte, derrubando paywalls para liberar o acesso a conteúdo informativo sobre o coronavírus. Outras adtechs estão deixando de aplicar o bloqueio de palavras-chave adicionando publishers de notícias às suas listas de permissões (whitelists), e cada vez mais anunciantes estão começando a entender que o brand safety pode ser muito mais do que bloquear ou não bloquear.




Em uma entrevista no [AdAge](https://adage.com/article/cmo-strategy/regularly-updated-list-tracking-marketers-response-coronavirus/2244251), Chad Mizee, Diretor Geral Sênior de Media and Digital Excellence na J&J, declarou há pouco tempo que a empresa não iria mais incluir na blacklist conteúdo relacionado ao coronavírus. Segundo ele, “Fizemos isso no começo, quando havia algumas (eu acho que muitas) fake news por aí. Mas, desde o final de março, mudamos nossa postura, e acho que é superimportante investirmos em nossos parceiros que estão abastecendo o público com informações valiosas.”




Com o fim da pandemia longe de acabar, as notícias são o que temos de mais precioso neste momento, e precisamos fazer nossa parte para apoiar o livre fluxo dessas informações, e não bloquear o caminho.




Confira minha conversa com Matthew Hogg abaixo.
