Impactos da pandemia no setor de entretenimento

 

Ah… bons tempos aqueles quando a gente podia ir no cinema e no teatro. Quando a gente curtia um chopp no barzinho rodeado de amigos, jogando conversa fora depois de um dia duro de trabalho. No meu tempo…

Aposto que você já ouviu algo parecido do seu avô ou algum outro idoso, mas essa frase poderia muito bem ser dita hoje por você mesmo! Este é um dos impactos do isolamento social causado pela pandemia de COVID-19. Não podemos mais nos aglomerar e sentimos falta do convívio pessoal, do toque e da presença daqueles a quem queremos bem.

E, da mesma forma que o isolamento afeta nosso cotidiano e nossos hábitos, acaba afetando também os setores da indústria aos quais costumávamos recorrer para nos divertir. Com cinemas e teatros fechados, aglomerações em bares não recomendadas e shows cancelados, a indústria do entretenimento foi uma das muitas que estão na UTI com todo este cenário.

Segundo a Associação Brasileira dos Promotores de Eventos – ABRAPE, 51,9% dos eventos programados – cerca de 300 mil para 2020 – foram cancelados, adiados ou estão em situação incerta, o que representará uma perda de R$ 90 bilhões na indústria como um todo e uma demissão de aproximadamente 580 mil pessoas. Num cenário onde os empresários apostavam em um crescimento de 6,5%, 2020 está mais para uma “Viagem ao Centro da Terra” do que para uma “Odisséia no Espaço”.

Para tentar conter o tsunami de falências no setor, o governo brasileiro aprovou mês passado uma lei de auxílio emergencial aos profissionais da área cultural – artistas, produtores, técnicos, curadores, oficineiros e professores de escolas de arte – e vai lhes garantir um benefício de R$ 600,00.

Pelo mundo afora o cenário não é diferente. Grandes estúdios postergaram lançamento de blockbusters, a Broadway americana cancelou seus 31 espetáculos que estavam em cartaz, os mega-eventos musicais Coachella e Glastonbury foram adiados, os prejuízos apenas para a indústria americana já somam mais de US$ 560 milhões. As Olimpíadas, que se vangloriavam de terem sido suspensas apenas durante o período das Guerras Mundiais, anunciou a suspensão do evento até segunda ordem.

Diante deste cenário de incertezas onde consumidores tendem a reduzir custos, até os serviços de entretenimento online registraram perdas. O Spotify viu reduzir seu volume de faixas tocadas em quase 25% e a Netflix, que por enquanto está muito bem, obrigada, se preocupa com o adiamento da estreia de novidades em sua plataforma nos próximos meses, principal motivo para permanência dos atuais e principal argumento de venda para novos assinantes.

Como é um setor de extrema importância também no mundo online, a Criteo vem monitorando de perto a performance de vendas de diversas categorias de produtos relacionadas ao entretenimento. Podemos dizer que, de maneira geral, as categorias monitoradas tiveram um forte crescimento durante os primeiros dois meses do isolamento social (março e abril), mas desde o início de maio iniciam uma trajetória de queda acentuada, entrando junho já em patamares inferiores de venda comparados a janeiro de 2019. A única exceção: instrumentos musicais eletrônicos, ou seja, sintetizadores, teclados e amplificadores, por exemplo.

Há alguns fatores que podem explicar a alta desses produtos. Já explicamos aqui sobre a ascensão de podcasts, lives e webinars não apenas como forma de aproximação entre as pessoas, mas também como ferramentas de relacionamento entre empresas e seus consumidores. Um outro fator é o próprio uso do tempo de isolamento para o aprendizado de música e a atividade artística.

Mas nem tudo são flores. Algumas categorias de produtos, principalmente ligadas às artes manuais e modelismo, não chegaram a decolar nesta pandemia. Outras chegaram a ver suas demandas aumentarem entre o final de março e meados de abril, mas desde então vêm em queda, como ferramentas para artes manuais e instrumentos musicais de corda. Até os acessórios para instrumentos musicais de corda cuja demanda mais que duplicou entre abril e maio, já experimenta uma queda acentuada, apesar de ainda estar vendendo em níveis 50% melhores do que a primeira quinzena de fevereiro de 2020.

Se olharmos o conjunto de categorias, a performance dos instrumentos musicais eletrônicos é tão boa que acaba levantando a média de toda o setor monitorado. No consolidado, o setor ainda tem performance 58% superior ao período de janeiro de 2019, mas com viés de queda. Isso significa que, mesmo em isolamento social, as pessoas ainda estão interessadas em consumir arte e entretenimento e, se seu negócio atua nesse segmento, pode ser uma boa hora para investir em estratégias de upper funnel para o aumento e engajamento da sua base e até em ações lower funnel, aproveitando a demanda para gerar vendas.

Então, se você acha que é uma boa hora para investir, você acertou! A Criteo pode te ajudar a saber o que acontece no mercado onde sua empresa opera, sugerir as melhores estratégias de marketing digital e as melhores ferramentas e soluções para alcançar seus objetivos. Não espere mais e entre em contato com a gente!

Manoella Fidalgo

Manoella mudou para São Paulo para fazer uma pós-graduação e nunca mais saiu. Além de escrever para o blog da Criteo Brasil, ela é responsável pelo Marketing da Criteo na América Latina. Gosta de pipoca, música e não come chocolate. Não necessariamente nessa ordem.